Theastai Theatron (1983)
O TCA apresenta: “Theastai Theatron”*, texto de Luís Otávio Barata e TCA, montagem apresentada no Teatro Experimental Waldemar Henrique, em abril de 1983.
“Theastai Theatron”* inaugurava a abertura para novas experimentações estéticas, e um trabalho bem mais autoral na cena de Belém no início da década de 1980, era o prenúncio do que estava por vir, a trilogia marginal (“Genet: o palhaço de Deus”, “Posição Pela Carne” e “Em Nome do Amor”, obras realizadas no período de 1987-1990). A polêmica montagem do TCA, “Theastai…”, foi inspirada em leituras de Antonin Artaud, mas sua concepção não partiu de um texto já existente, como suas outras montagens, este espetáculo fazia uso de uma linguagem mais corporal e menos verborrágica, através de uma pesquisa estética bastante elaborada. Abordava a trajetória do homem, o nascimento, a família, escola, religião, política, casamento, sexualidade e as manipulações pelos valores da sociedade, além de buscar a origem ritual do teatro. A palavra entrava raramente na cena para quebrar o silêncio. O espetáculo era feito de colagens de cenas, como quadros de imagens, que entravam rompendo um tema para dar vez a outro. Com uma estética violenta e política, ele prendia a atenção pelos insights, gestos, imagens apoiadas numa “signagem de superposições”, possibilitando “múltiplos níveis de leitura”.
Curiosidade: “Theastai Theatron”* foi proibido pelo órgão da censura federal, na pessoa da Doutora Mirthes Nabuco de Oliveira Pontes, considerado atentado ao pudor por seu texto ácido, pelo uso da temática bíblica, mas especialmente pela nudez na cena da crucificação, e pela figura de uma cruz humana. Após a proibição, seguiram-se as apresentações no Teatro Waldemar Henrique, em caráter de ensaio aberto, isto é, sem cobrança de ingressos, uma forma de driblar os censores. A plateia ocupava as margens da sala de espetáculo, aguardando ansiosa pelo inicio “formal” da encenação, silenciosa e passiva em sua cadeira, ouvia falas sussurradas, gemidos e respirações que vinham por detrás de uma curiosa parede feita de jornais do teto até o chão, em frente aos espectadores. Esta concepção idealizada por Barata dava um caráter de voyeur ao público, que tomava fôlego aos poucos e ia espiar de perto a cena, até romperem por completo a bela cenografia de papel. Devido a censura os atores confeccionaram um tapa-sexo artesanal com gazes e fios; porém, ao fim de cada apresentação o elenco do espetáculo-ensaio interrompia a cena deixando os espectadores ali presentes decidirem se o nu seria revelado ou não, dando então prosseguimento ao ritual. Era oferecida uma tesoura para quem quisesse cortar as gazes, o público poderia decidir assumir ou não o papel da Doutora Mirthes. Não demorou para que os ensaios chamassem atenção da direção do Teatro, na época, exercida por Guilhermina Nasser, que se incumbiu de denunciar à censura o fato, fazendo com que o TEWH fosse lacrado temporariamente.
* “Theastai Theatron”: Palavras de origem grega que significam “lugar de onde se vê”, referindo-se a área da plateia. A palavra teatro se origina destes dois termos (MATE, 2004). Com a censura e proibição sobre este espetáculo, Barata semanas depois cria outra montagem em protexto a esta atitude, inverte as sílabas e as palavras, estreando um novo espetáculo, sob nome “Trontea Staithea”, que significaria “ver, do jeito que a censura permite”.
Ficha Técnica:
Direção: Zélia Amador de Deus / Assistente de Direção, Visual e Figurino: Luís Otávio Barata / Produção: TCA / Adereços de Cena: Walter Bandeira / Execução dos Figurinos: Enid Almeida e Marizeth Ramos / Coreografia: Sidney Ribeiro / Pesquisa Musical: Fernando Pina / Som: Nelma Oliveira / Iluminação: Cacá Henriques e Calazans / Cartaz e Programa: Henrique da Paz / Foto Divulgação: Eduardo Kalif.
Elenco: Ailson Braga, André Genú, Henrique da Paz, Márcia Macedo, Marton Maués, Sávio Chaul, Sérgio Henriques, Zélia Amador.
Fotos: Solange Calcagno e Eduardo Kalif

















28/11/2010 às 03:17
[...] Theastai Theatron (1983) [...]
17/08/2011 às 22:45
Eu tive o prazer de participar da pesquisa musical da peça junto com Fernando Pina sendo minha participação ao vivo com o set de percussão montado na parte de cima do teatro – escolha minha – onde os sons de taças com água e vozes , ritmos e sons aleatórios
ecoavam na sala sem a plateia saber de onde vinham.
uma experiancia espetacular,por isso solicitei a lembrança
valeuuuuu