Quarto de Empregada (1976)
Primeiro espetáculo do Teatro Cena Aberta – TCA, “Quarto de Empregada”, texto Roberto Freire, dirigido por Luís Otávio Barata, com as atrizes Zélia Amador de Deus e Margaret Refskalefsky, estreou em 21 de novembro de 1976, nos palcos do Theatro da Paz.
Curiosidade: Neste primeiro espetáculo, o grupo subvertia o formalismo previsível e surpreendia a cidade. Barata construiu dentro do palco do Theatro da Paz um cenário que propunha um formato espacial e inovador de plateia, esta acomodava-se dentro do palco. Não podendo arcar com os valores muito altos cobrados pela direção daquela casa de espetáculos (que atualmente cobra 3.000 mil Reais a diária), ele subverteu a entrada do público pela porta principal, eliminou o uso do anexo da bilheteria da casa, e criou nos fundos do TP, na entrada da técnica, uma bilheteria improvisada, cobrando um valor simbólico pelo ingresso, e fazendo com que o espectador entrasse no templo teatral pelos bastidores, passando pelas coxias, cabos e maquinarias do teatro, e se acomodasse ali mesmo no palco, num único espaço, aglutinando público e cena, e ignorando a arquitetura neoclássica de 1.100 acentos da plateia original, além de ser uma atitude crítica, ele literalmente “deu as costas” para a política cultural da cidade, que não apresentava na época demais opções de espaços para montagens teatrais:
“O espectador entrava pelo fundo e, no próprio palco. Até hoje eu não entendo como esses caras que dirigem essa cultura em Belém ainda não pensaram nessa alternativa para os grupos poderem usar o Theatro da Paz sem ter que pagar aquele absurdo que cobram: se você botar um praticável ali, de dez por oito, você consegue, no mínimo, colocar ali cinquenta cadeiras. E você reduz absurdamente o custo, por aquele negócio: o palco é refrigerado, a bateria de spots está toda lá, você só faz criar uma bilheteria no fundo do teatro. Você abaixa o custo, porque você precisa – o quê? – de um cara que vai operar a luz, um cara que vai operar o som, um bilheteiro e um porteiro para receber o ingresso. Só quatro pessoas. E a central do teatro inteira não está ligada, porque, lá, é modulado. Você pode ligar só aquela parte que diz respeito ao palco. E foi assim que começou o Cena Aberta (Luís Otávio Barata, 1998).
Nas vésperas da estreia os jornais anunciavam: “Cena Aberta: a proposta de um teatro simples, mas bom”. E assim nascia nossa cena experimental em Belém.
- Cenário de Luís Otávio Barata, construido sobre o palco do Theatro Da Paz, de costas para a platéia.
- Margaret Refskalefsky e Zélia Amador de Deus






03/07/2010 às 04:22
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